Meu cachorro está comendo cocô... Como resolver?

O hábito de comer as próprias fezes, ou as fezes de outro animal, se chama coprofagia. A coprofagia parece ser um hábito normal para a os cães, apesar de bastante desagradável na opinião dos humanos.

Uma situação em que a coprofagia deve ser considerada normal é quando a cadela recém parida ingere as fezes dos filhotes - este é um comportamento ancestral que visava a proteção contra predadores e a higiene do ninho.

O cão que ingere fezes frequentemente apresenta mau hálito, infestações repetidas por vermes, desgaste excessivo dos dentes e pode apresentar ainda obstrução gastrointestinal e contrair viroses como hepatite e parvovirose. Um cão pode comer fezes por diversas razões, e para resolver de vez o problema, é essencial que se pesquise os motivos daquele comportamento, para então conseguir realizar um tratamento efetivo. Veja os possíveis motivos para a ingestão de fezes:

Má digestão
Animais que apresentam alguma dificuldade de digestão podem ter pedaços de alimentos não digeridos nas fezes, de forma que os cães podem entender que ainda se trata uma porção de comida. Isto pode acontecer, por exemplo, com cães que são alimentados apenas uma vez por dia, e os intestinos não conseguem absorver todos aqueles nutrientes fornecidos de uma vez só.

Fome/ Falta de nutrientes
Animais que recebem menos alimentos do que deveriam, ou gostariam, podem ingerir as fezes como forma de complementar a dieta. Isto é comum para cães que são alimentados com dietas desbalanceadas ou de má qualidade, para cães de rua ou abrigo, e para aqueles que estão em dieta para perda de peso.

Dieta rica em carboidratos
Muitas rações apresentam altos níveis de carboidratos, que não são completamente digeridos nos intestinos, resultando em grande quantidade de fezes ricas em amido - super atrativas e saborosas para os cães!

Doenças
Pancreatite éxocrina ou síndrome da má absorção, infestação intestinal por vermes e deficiência de tiamina (vitamina B1) são doenças que podem causar a coprofagia. Por isso é essencial a avaliação do médico veterinário quando um cão começa a ingerir fezes.

Ansiedade
Cachorros entediados podem brincar e ingerir com as fezes, como forma de se distrair. Outros cães podem realizar a coprofagia como forma de receber atenção dos donos, que irão interagir com o cão, mesmo que reprimindo o comportamento, no momento em que as fezes são ingeridas.

Medo das punições
Cães que recebem punições quando defecam em locais errados, ou quando comem as fezes, podem entender que o que está errado é o fato de defecarem, e passar a realizar a coprofagia como forma de esconder o cocô.

Ambiente
Quando os locais para dormir, comer e defecar estão muito próximos, alguns cães podem comer as fezes para manter a higiene do ambiente.

E então... Como resolver o problema?

1 - O cão que come fezes precisa ser avaliado pelo médico veterinário, para que se exclua a possibilidade de doenças estarem envolvidas neste hábito.
2 - Fim das punições! Não brigue, bata, nem esfregue o focinho do cão no chão, quando ele defecar em locais inadequados, ou quando comer fezes. Já os bons comportamentos, como defecar no local certo, devem ser sempre premiados!
3 - Separe bem os locais onde o animal irá dormir e comer daquele em que irá urinar e defecar
4 - Recolha rapidamente as fezes do cão, antes que ele possa comê-las!
5 - Converse com o médico veterinário sobre a suplementação com bactérias e nutrientes bons para o intestino, para que o animalzinho consiga digerir e absorver melhor os nutrientes dos alimentos. Estas bactérias são encontradas na forma de suplementos probióticos, como Enterofort, Lactobac e Probiótico Vetnil
6 - Converse com o médico veterinário sobre o uso de suplementos para tratamento da coprofagia, como os que conferem sabor ruim às fezes, evitando que o cão tenha vontade de comê-las. Conheça o Acoprofagia.

Tem dúvidas? Escreva nos comentários, que a gente responde rapidinho!

Sílvia Trindade médica veterinária




 Sílvia Trindade é médica veterinária especialista em clínica médica de cães e gatos pela UFMG e mestre em ciência animal pela UFMG.